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terça-feira, 22 de setembro de 2009

A eletroterapia na estética facial

A eletroterapia vem sendo cada vez mais utilizada nos tratamentos
estéticos faciais e corporais, sendo até considerada como fundamental
por muitos profissionais da área. Por esse fato, é imprescindível o
conhecimento pleno das técnicas e sua correta utilização evitando
lesões, assim como sua aplicação.

Esse texto tem como objetivo definir as técnicas, no sentido de
elucidá-las sem aprofundar detalhes técnicos sobre as mesmas, nem mesmo
detalhes de sua aplicação.
O ideal é que as técnicas apresentadas a seguir devem ser utilizadas por
profissionais capacitados, ou seja esteticistas, médicos e
fisioterapeutas, entre outros profissionais da área da saúde, que tenham
em seu currículo matérias básicas, como anatomia, fisiologia e
principalmente eletroterapia.


Corrente Galvânica:

É uma corrente do tipo contínua e com sentido unidirecional, ou seja, os
elétrons caminham num só sentido do pólo negativo para o positivo. São
utilizados dois eletrodos, um positivo (vermelho) outro negativo
(preto), havendo necessidade de ambos estarem em contato com o cliente
fechando o circuito. Com a corrente galvânica são realizadas as
seguintes técnicas faciais:

Ionização

Desincruste

Eletrolifting ou Galvanopuntura

Eletrólise ou Eletrocoagulação

Proporciona alguns efeitos fisiológicos no organismo, tais como:

Hiperemia local

Vasodilatação local

Elevação da temperatura local

Elevação do metabolismo

Otimização da circulação sangüínea

Analgesia


Ionização:

É uma técnica que facilita a penetração das substâncias ativas dos
cosméticos através da pele. A química a define como o processo pelo qual
um átomo ganha ou perde elétrons transformando-se em íon. Quando ganha
torna-se um íon negativo ou ânion e quando perde torna-se positivo ou
cátion. A utilização da corrente elétrica "quebra" as moléculas do
princípio ativo do produto transformando-as em íons, os quais possuem
massa e tamanho menores que a molécula.

Essa dissociação facilita a passagem do produto pela pele, pela membrana
celular e pelos folículos pilo-sebáceos, permitindo melhores absorção e
penetração. Sabemos que substâncias com cargas iguais se repelem e
substâncias com cargas opostas se atraem; o mesmo ocorre entre os íons e
os pólos da corrente.

Ionizando o produto com o pólo de mesma carga, estamos provocando uma
repulsão entre o produto e o eletrodo e uma atração entre o produto e o
organismo, facilitando sua penetração.
Geralmente os produtos utilizados são ampolas nutritivas à base de
uréia, colágeno, elastina, extrato placentário, DNA, vitamina C, entre
outros.

Além de favorecer a penetração de substâncias nutritivas, também
estimula os tecidos promovendo um aumento do metabolismo e melhora da
atividade celular. Essa técnica é indicada para tratamentos preventivos
de envelhecimento ou involução cutânea ou mesmo para atenuar os sinais
do envelhecimento.

Podem ser utilizados os dois eletrodos em esfera, movimentados ao mesmo
tempo, ou um esfera e o outro bastonete, ou com e eletrodo caneta,
especial para linhas de expressão, e o bastonete.







Desincruste:

É uma técnica que utiliza a corrente galvânica para facilitar a retirada
do excesso de secreção sebácea da superfície da pele. Geralmente é
utilizado um produto com ativos à base de carbonato de sódio, salicilato
de sódio ou lauril sulfato de sódio, que possuem características alcalinas.

Esses produtos realizam saponificação ou efeito detergente com os ácidos
graxos presentes na secreção sebácea, transformando-o em sabão, o qual é
facilmente removível com água. A função da corrente é facilitar a
penetração do produto, por isso a polaridade selecionada no aparelho
deve ser a mesma do produto, seguindo o mesmo princípio da ionização.

A diferença entre a ionização e desincruste é que este último atinge a
camada mais superficial da pele. A aplicação do desincruste deve ser
feita principalmente na zona T, ou seja, testa, nariz e queixo.

Os eletrodos que devem ser utilizados são o gancho (jacaré) envolvido
por algodão embebido na solução e o bastonete, que a cliente deve
segurar durante a aplicação. Essa técnica também tem sido bastante
utilizada nos tratamentos capilares para redução da oleosidade nos
quadros seborréicos.






Eletrolifting ou Galvanopuntura:

É uma técnica que utiliza a corrente galvânica juntamente com uma agulha
de 5mm no pólo negativo, com o objetivo de atenuar vincos e linhas de
expressão. Não se caracteriza por um método invasivo, pois a agulha
atinge apenas a superfície da pele sem aprofundar-se.

Esse método consiste em provocar uma sutil agressão na camada
superficial da epiderme, sobre as rugas ou linhas de expressão nas
regiões naso-labiais, perioculares, frontal, entre outras, com o intuito
de estimular a produção de novas células, de colágeno e elastina e ainda
incrementar a nutrição do local, agindo sobre os tecidos que se
encontram desnutridos e desvitalizados.

O resultado varia de acordo com a profundidade da ruga, a idade e os
cuidados que se tem com a pele. A técnica também pode ser utilizada em
estrias, apresentando ótimos resultados.

Para a aplicação, são utilizados os eletrodos bastonete e porta-agulhas
e o profissional deve estar especializado neste tratamento.



Eletrólise ou Eletrocoagulação:

Também denominada por depilação "definitiva", é uma técnica que utiliza
a corrente galvânica e uma agulha metálica de 7mm como um recurso para
destruir a raiz do folículo pilo-sebáceo, bloqueando, assim, o
crescimento do pêlo. Essa destruição ocorre devido a uma descarga
elétrica através da agulha, pois é na raiz que se encontram os
nutrientes necessários para o crescimento do pêlo.

Não é um método invasivo pois, a agulha atravessa a epiderme e chega à
derme onde atinge a capa germinativa do bulbo e a papila, sem portanto
ultrapassá-la. Para localizar o bulbo é necessário o auxílio de uma lupa.
Pode ser utilizada em qualquer região do organismo onde se deseja a
eliminação de pêlos indesejáveis tanto da face como do corpo, porém é
utilizada com mais freqüência no buço, peito, virilhas e sobrancelhas.

Os eletrodos utilizados são o porta-agulhas, o bastonete e um pedal que
libera a passagem da corrente, sendo que esta não passa de forma
contínua para o cliente e sim quando o pedal é acionado pelo profissional.
Para a aplicação desta técnica é necessário localizar com precisão o
bulbo piloso, sendo imprescindível que o profissional esteja capacitado,
tornando a técnica eficaz e sem causar lesões cutâneas.

Embora seja denominada por definitiva, a técnica pode não eliminar por
completo o folículo e o pelo pode vir a crescer novamente, porém com
muito menos resistência e espessura, facilitando sua retirada
posteriormente. Além disso, sabemos que o termo definitivo é muito
comprometedor, visto que não existe um método cem por cento definitivo.





Legenda: Eletrodos Utilizados na Galvânica: Porta Agulha,Gancho,
Bastão, Caneta, Esfera


Microcorrentes:

É um tipo de corrente galvânica modificada, modulada em tipos de ondas,
com valores de freqüência e com amperagem medida em milionésimos de
Ampére (mA). Essas variáveis quando combinadas, efetuarão trabalhos
específicos.

O objetivo da técnica é promover a revitalização cutânea, melhorando a
flacidez muscular, elasticidade, a viçosidade e o brilho da pele. Isso
ocorre devido à formação de um campo bioelétrico natural, que promove
revitalização celular. A seleção do tipo da onda se deve a cada etapa de
trabalho, ao grau de flacidez e ao estado geral da pele, sendo algumas
utilizadas para flacidez mais leves e outras para flacidez mais acentuadas.

Os problemas ocasionados pelo mau funcionamento das vias de intercâmbio
em decorrência da má circulação e da disfunção do sistema linfático,
ocasionam ineficácia na nutrição e na eliminação de toxinas. Esses
aspectos associados a fatores relacionados com o modo de vida do
paciente e sua forma individual de utilizar os músculos da face, também
refletem no tônus muscular, responsável pelo aspecto viçoso da
juventude, ocasionando, por exemplo, o aparecimento de sulcos
nasogenianos, linhas de expressão e outras exteriorizações.

A técnica atinge tanto a camada superficial da pele, possibilitando a
movimentação dos líquidos intersticiais, como a camada superficial da
musculatura facial, estimulando as fibras.

Para o nosso aparelho, o Syncros, orientamos que a técnica seja aplicada
em três etapas: na primeira fase o objetivo é promover a movimentação de
líquidos, na segunda promover a estimulação muscular e na terceira
ionizar um produto com características nutritivas e hidratantes,
próprias para revitalização cutânea.

A movimentação dos líquidos proporciona alguns efeitos fisiológicos
bastante importantes para a restauração dérmica, tais como:

Elevação da temperatura local

Formação de hiperemia

Otimização do metabolismo

Aumento da síntese de ATP e de colágeno

Incremento da drenagem

Desobstrução ganglionar

Aumento das trocas iônicas intracelulares

Mobilização de líquidos provenientes das circulações linfática e
sangüínea

Aumento da reabsorção de hematomas, edemas e cicatrização em
pós-cirúrgicos

Já na segunda etapa, priorizamos a estimulação da musculatura com
movimentação no sentido das fibras, seguindo-as em um mapa anatômico.

A terceira consiste em ionizar um produto cujos benefícios estão
diretamente relacionados com o princípio ativo do produto.
Essa técnica representa um avanço significativo em relação aos
tratamentos disponíveis até há pouco tempo, uma vez que o equipamento
possibilita alcançar melhorias visíveis desde a primeira aplicação.

É certo que essas melhorias são temporárias mas conforme o tratamento
vai sendo realizado, os benefícios tornam-se mais duradouros, pois o
efeito da corrente continua agindo mesmo após a aplicação. Esses
benefícios não são definitivos visto que os efeitos do tempo continuarão
a incidir sobre o organismo.

Para a aplicação são utilizados dois eletrodos porta-cotonetes junto com
uma solução aquosa, geralmente solução N.M.F., (Natural Moisturizing
Factor, fator hidratante sintético semelhante ao encontrado na pele,
rico em aminoácidos, lactato e sais), conhecida por Uréia, nas duas
primeiras etapas e dois eletrodos em esfera para ionização com algum
produto ionizável.





Corrente Farádica:

É uma corrente do tipo alternada, ou seja, que muda sua polaridade em um
determinado tempo pré-estabelecido, e que realiza uma estimulação
muscular por excitação nervosa. Cada estímulo provoca uma contração e em
seguida há um período de repouso.

A sucessão de impulsos segue uma determinada ordem denominada
freqüência, cuja unidade de medida é Hertz. Traduz o número de impulsos
em cada segundo, por exemplo, uma freqüência de 10Hz significa que estão
passando dez estímulos em cada segundo.

Esta técnica tem por objetivo proporcionar um trabalho isométrico
passivo melhorando o contorno facial e reduzindo o quadro de flacidez
muscular com conseqüente melhora da circulação periférica. É aplicada
por eletrodos de borracha siliconada e chamex (esponja vegetal)
umedecida para facilitar a transmissão da corrente.

Além de estimular a musculatura, a aplicação da corrente farádica
promove a otimização do metabolismo e da circulação sangüínea do tecido
muscular. A intensidade deve ser ajustada de acordo com a sensibilidade
da cliente e o tempo médio de aplicação deve ser em torno de 5 a 10 minutos.

A região a ser estimulada deve seguir o mapa muscular, porém não por
pontos motores mas sim por grupos que apresentem maior tendência à
flacidez (regiões mentoniana, zigomática, entre outras).






Alta-Frequência:

A alta-freqüência é um tipo de corrente de elevada tensão e baixa
intensidade que passa de uma peça chamada bobina para os eletrodos de
vidro que contém gás nobre. Os gases utilizados são geralmente Neônio ou
Argônio. Quando é acionado, emite uma coloração alaranjada, no caso do
neônio, ou azulada, no caso do argônio.

Possui ação bactericida sendo muito importante na limpeza de pele;
ativadora, vasodilatadora e térmica, que proporcionam melhor absorção de
cosméticos nutritivos nos tratamentos de revitalização cutânea,
provocando hiperemia e elevação da temperatura local.

Nos tratamentos capilares é importante como um elemento ativador da
circulação sangüínea do couro cabeludo acentuando também a penetração de
produtos nutritivos pelos folículos pilo-sebáceos, sendo utilizados nos
tratamentos antiqueda.
Pode ser utilizado tanto na estética facial, corporal e capilar.

O tempo de utilização depende do local e do tipo da aplicação,
geralmente em torno de 3 a 8 minutos. Possui seis tipos diferentes de
eletrodos, que variam de acordo com a função a ser desempenhada. São
eles: pente, fulgurador, standarts pequeno e grande, forquilha e saturador.

O eletrodo pente é utilizado nos tratamentos capilares para a
descontaminação e ativação do couro cabeludo. O fulgurador
(cauterizador), é utilizado durante a limpeza de pele, após extrações.
Os standarts pequeno e grande (cebolinha e cebolão), são utilizados nos
tratamentos faciais.

A forquilha é utilizada após depilações no corpo e também para
relaxamento da cervical. Já o saturador (ionizador indireto) é utilizado
nos tratamentos faciais e capilares, associado a massagens de
tamborilamento, facilitando a penetração de substâncias nutritivas.
Os efeitos fisiológicos que essa técnica possui são:

Bactericida e antisséptico

Vasodilatador, provocando hiperemia

Térmico

Ionização indireta

Cauterização após extrações de pústulas

Ativador do metabolismo, utilizado principalmente em tratamentos
capilares

Oxigenante

Relaxamento da região cervical

Ler mais sobre: Alta Frequência




Vaporização:

É uma técnica que utiliza os princípios do calor através do vapor com o
objetivo de provocar emoliência. Pode ser utilizado com o gás ozônio que
possui ação bactericida e oxidante, sendo a água um veículo para o gás.
O efeito oxidante é no sentido de aumentar o aporte de oxigênio para as
células, oxigenando os tecidos.

Promove emoliência devido a uma elevação da temperatura local e
vasodilatação periférica, provocando hiperemia e dilatação dos óstios. O
conjunto desses efeitos facilita a extração de pápulas, pústulas,
miliuns e principalmente comedões.

Para auxiliar e tornar a extração mais eficiente, deve ser utilizado um
bom cosmético com características emolientes. O tempo de aplicação deve
ser em torno de dez minutos aproximadamente. As indicações terapêuticas são:

Dilatação dos óstios foliculares

Tratamento de pele acnéica

Penetração mais rápida de produtos nutritivos e ativos

Bactericida e oxigenante




Vacuoterapia:

É uma técnica bastante utilizada na estética facial e corporal.
O princípio de trabalho é uma sucção sobre a pele através de ventosas de
vidro que tem formas e diâmetros diferentes e com diversos valores de
sucção, reguláveis por um potenciômetro de acordo com as diferentes funções.

Ocorre mobilização do estrato cutâneo profundo com deslocamento do
tecido de sulcos favorecendo a produção de colágeno.
Sua aplicação pode ser realizada quando se pretende atingir os planos
mais profundos da pele como nas cicatrizes, tecido fibroso, vincos,
linhas de expressão e após intervenções cirúrgicas.

Durante o processo de envelhecimento encontramos algumas alterações, como:

Redução do número de fibroblastos, e conseqüentemente redução da
síntese de colágeno, elastina e fibras reticulares

Disfunções do sistema linfático

Provoca intensa hiperemia em pouco tempo, facilitando a circulação
sangüínea e linfática. Suas aplicações na estética facial são:

Extração de comedões, pápulas, pústulas e miliuns, após peeling e
emoliência

Massagem facial modeladora

Massagem de drenagem linfática, incluindo o pós-operatório

Ativação de linhas de expressão e vincos, provocando hiperemia e,
preparando para ionizar soluções nutritivas e ainda estimulando a
produção de colágeno e elastina

Atuação em tecidos fibrosos e cicatriciais com aderências no sentido
de atenuá-las.




Pulverização ou Nebulização:

É uma técnica que realiza a pulverização de uma solução aquosa, como
loções, tônicos, com baixa pressão e jato difuso.
A pulverização é importante em todos os tipos de pele e pode ser utilizada:

Após um peeling suave ou limpeza profunda da pele, auxiliando na
remoção dos resíduos do produto esfoliante utilizado.

Durante o tratamento facial, na revitalização cutânea favorecendo a
penetração de loções hidratantes e nutritivas.

Após a massagem facial, proporcionando efeito refrescante.

Após a máscara facial, facilitando sua remoção.

Os efeitos fisiológicos que a pulverização promove estão relacionados
com o tipo de princípio ativo contido na solução utilizada sendo,
geralmente, bactericida ou fungicida, e com a temperatura e a pressão
empregadas tendo, geralmente, efeito descongestionante, e estimulante da
circulação sangüínea.


Marcelle Matoso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Eletrolipólise ( Eletrolipoforese)

A eletrolipólise também chamada de eletrolipoforese é uma técnica destinada ao tratamento das adiposidades e acúmulo de ácidos graxos localizados. Caracteriza-se pela aplicação de microcorrente específica de baixa freqüência (ao redor de 25 Hz) que atua diretamente a nível dos adipócitos e dos lipídios acumulados produzindo sua destruição e favorecendo sua posterior eliminação.

Um dos maiores problemas profissionais da área de estética no Brasil, é a falta de uma nomenclatura uniforme, que não nos cause problemas na interpretação e/ou na execução de artigos ou trabalhos científicos. Além dos dois termos, podemos confundí-los com a Eletroforese, que é uma forma de utilização da corrente galvânica, sem a adição de princípios ativos, sendo um mecanismo e ação complementar aos tratamentos estéticos, que será escrita numa outra oportunidade aqui no blog.

A Célula e a Eletroterapia:

A célula é um elemento vivo que possui a capacidade de reagir aos estímulos elétricos, da mesma forma que reage a estímulos de natureza hormonal, térmica, mecânicas e fotoquímicas.


A diferença básica é que as células usam átomos carregados, ou seja, íons para o movimento das cargas e quando falamos da eletricidade em circuitos não humanos, temos a movimentação de elétrons.

As células são circuitos úmidos, que operam em um meio salino de condutividade, como exemplo, um único íon de hidrogênio que contenha um próton , tem 2.000 vezes a massa de um elétron.

Entretanto há grande diferença entre eletricidade direta e quando a colocamos direto no corpo humano, mostrando a reação que se produz nos tecidos em relação a simples passagem dos elétrons secos, movimentando no organismo os íons úmidos, que nos levarão a reações desejadas.

A eletrolipoforese terapêutica como dito anteriomenente atua a nível do tecido adiposo, produzindo sua destruição e eliminação. O campo elétrico que se origina entre os eletrodos, provoca a nível local, uma série de modificações fisiológicas que são responsáveis pelo fenômeno da eletrolipólise. Os principais efeitos fisiológicos proporcionados pela eletrolipólise são:

1) Efeito Joule

Em virtude do efeito Joule, a corrente elétrica, ao circular por um condutor, realiza um trabalho que produz calor ao atravessar o mesmo. O aumento de temperatura que é produzida na eletrolipoforese, não atinge tecidos orgânicos, visto que se trata de uma corrente com uma intensidade muito pequena, porém suficiente para contribuir para instalação de uma vasodilatação com aumento de fluxo sangüíneo local. Desta forma é estimulado o metabolismo celular local, facilitando a queima de calorias e melhorando o trofismo celular.

2) Efeito eletrolítico

Em condições normais a membrana celular é semipermeável, que separa dois meios de composição iônica diferente: o meio intracelular é eletronegativo e o meio extracelular é eletropositivo. O campo elétrico gerado por esta corrente na eletrolipoforese, induz o movimentoiônico que traz consigo modificações na polaridade da membrana celular. A célula tende a manter seu potencial elétrico de membrana normal, e essa atividade consome energia a nível celular.

3) Efeito de estímulo circulatório

O ligeiro aumento de temperatura que se instala no local (efeito Joule) contribui em parte para a instauração de uma vasodilatação, pois a corrente atua com estímulo direto nas inervações promovendo uma ativação da microcirculação. Já foi demonstrado em em estudos que a freqüência de 25 Hz é mais eficaz para tratar alterações circulatórias e congestivas.

4) Efeito neuro-hormonal

O tecido adiposo representa a principal reserva energética do organismo. Longe de um simples reservatório, o adipócito possui uma intensa atividade metabólica: forma triglicerídeos (liposíntese) e os armazena, decompondo-os (lipólise) segundo a demanda do organismo. A mobilização das gorduras de reserva, ou seja a lipólise , se realiza graças a uma enzima hormônio-dependente, a triglicerideolipase. Esta enzima desintegra os triglicerídeos em ácidos graxos e uma molécula de glicerol. Os ácidos graxos assim produzidos são em grande parte, expulsos da célula a menos que estejam em um local com excesso de glicose, e que voltam a formar triglicerídeos; ao contrário, o glicerol liberado, não pode ser usado novamente e é captado pelo fígado que o metaboliza em glicose.

Cada adipócito contém grandes quantidades da enzima digestiva de gordura, em sua forma inativa, a lipase. Alguns hormônios, em especial o cortisol, do córtex suprarenal, e a epinefrina, da medula supra-renal, podem ativar a lipase. O sistema neuro-hormonal influi sobre a lipólise: a estimulação do sistema simpático a ativa, enquanto a estimulação parassimpática diminui.

O Sistema Nervoso Simpático atua por mediação das catecolaminas (adrenalina e noradrenalina):a ativação destas últimas se efetua por itermédio do AMP cíclico, que estimula certas proteinquinases, o que determina a ativação de lipase tissular.

Quando se utiliza uma corrente especifica de baixa freqüência durante a eletrolipoforese, produz- se uma estimulação do Sistema Simpático, e como conseqüência ocorre a liberação de catecolaminas com aumento do AMP cíclico intradipocitário, e aumento da hidrólise dos triglicerídeos.

Alguns trabalhos já realizados com esta técnica demonstraram a presença de quantidades significativas de glicerol na urina, horas subseqüentes ao tratamento (sabe-se que em condições basais o glicerol não é detectado na urina). Este fato indica ativação da lipólise que se produz. Em conjunto, e como conseqüência de todos os efeito mencionados, se induz um aumento do catabolismo local, que se traduz clinicamente em uma redução do panículo adiposo, desde a primeira sessão.

Princípios de ação da Eletrolipoforese:

A Eletrolipoforese é uma forma de treinamento de Eletroterapia que utiliza corrente bidirecional, com alternância de polaridade a cada segundo que trata a gordura localizada e a celulite em seus diversos graus através de uma estimulação da pele em 4 etapas como verão abaixo:

Para que obtenhamos êxito na aplicação bem como no direcionamento das formas de onda, temos que nos preocupar com o ajuste de freqüência, que data o direcionamento e ação específica a cada forma de onda.

Onda A - tem uma dupla aplicação, sendo a primeira uma forma de estimulação com uma freqüência de 50 Hertz, o que neste caso superficializará seu efeito, dando uma diminuição na resistência intrínseca da pele e uma diminuição de uma sensibilidade de dor que possa ser referida pela paciente.

Onda B – possui uma freqüência mais baixa, em torno de 30 Hertz, destinada a uma ação preferencial na derme, com o objetivo de estimular as células, principalmente o fibroblasto que justifica a ação de melhora na tonicidade, e sobretudo a sua ação na drenagem intersticial visando uma diminuição do edema instalado. Temos aqui, tanto o efeito de vasodilatação pela ativação da microcirculação, como também a ação anti-inflamatória pela reabsorção dos metabólitos.

Onda C – esta forma de onda tem freqüência de 10 Hertz, atua diretamente sobre o adipócito pela estimulação elétrica das terminações do sistema neurovegetativo simpático. Esta estimulação agirá de forma a desencadear uma liberação do AMP ciclo intra adipocitário.

Os adipócitos das regiões envolvidas no processo celulítico assume uma atitude estática, e esta forma de onda fará com que haja uma excitação celular, incrementando o aumento na produção do AMP cíclico à produção dos produtos da degradação dos lipídios.

A ação direta desta forma de onda se dá diretamente sobre os receptores Beta determinantes da ativação do AMP cíclico que estimulará a lipase inativa tornando-a que liberará o triglicéride sob forma de ácido e glicerol.

Onda D – esta onda tem a característica de estimulação direta muscular, sendo que a freqüência de trabalho deve ser direta para o músculo, ou seja de 5 Hertz, e pode ser usada no final do tratamento para que através da estimulação muscular tenhamos uma via a mais de eliminação dos produtos oriundos da lipólise – eliminação de gordura.

Método de Aplicação:

A Eletrolipólise tem duas formas de aplicação, levando-se em conta as seguintes precauções iniciais:


  • a pele deve estar íntegra, sem lesões cutâneas, observando-se ainda que a paciente não deve ter feito nenhum procedimento esfoliativo prévio, tal como depilação por cera;
  • a região não pode Ter tumorações;
  • a pele deve estar sem cremes ou produtos;
  • pacientes que façam uso prolongados de corticóides e progesterona;
  • pacientes que tenham doenças uterinas como fibromas.
Método com Agulhas: os eletrodos são agulhas de acupuntura de 15 cm de comprimento por 0,3 mm de diâmetro, de uso único. As correntes são contínuas, mas existem algumas
correntes utilizadas para a prática da eletrolipoforese que são alternadas. O pulso bifásico assimétrico (como o pulso do TENS), é uma forma de onda utilizada na eletrolipoforese. As agulhas podem medir entre 4, 5, 7, e 12 cm, introduzidas a nível hipodérmico, utilizando-se uma distância de 4 cm entre elas. São sugeridas agulhas de acupuntura, fabricadas em aço inoxidável ou em prata, descartáveis, medindo de 0,25 a 0,3 mm de diâmetro com comprimentos que variam de 1 a 3 cm, ou de 10 a 12 cm. Agulhas mais grossas (0,30 mm) podem apresentar melhorers efeitos.

A técnica de aplicação consiste em colocar o paciente em posição cômoda, com a área de tratamento exposta, antes de penetrar a gulha e realizado os procedimentos de assepsia e antissepsia pertinentes ao procedimento.

Nesta “zona” de tratamento normalmente pinçamos o tecido, comprimindo a pele intensamente e procurando dar a angulação necessária para a colocação da agulha. Com a outra mão seguramos a agulha no máximo 0,5 cm da ponta do bisel. Evitando que no ato da penetração, a agulha fique fletida e perca o direcionamento da mesma. Devem ser introduzidos pares de agulhas de forma paralela, de acordo coma saída dos cabos no aparelho. As agulhas são separadas por mais de 5 cm, de modo que cubram toda a área a tratar. Se inicia uma sessão aumentando a intensidade gradativamente, partindo até o limiar suportável do paciente.

Tempo deduração: 50 minutos, após costuma-se aplicar algum tratamento complementar como: Estímulo muscular, drenagem linfática, estimulação de pontos de acupuntura, etc. Quase sempre é somado ao tratamento uma dieta hipocalórica e hidrosalina controlada para favorecer a saída de água intra-celular.

A intensidade da corrente aumentará em função da sensibilidade do paciente, de forma que não resulte em dor intensa na pessoa tratada. Vale ressaltar, que a pessoa tratada deve notar uma sensação de "pico máximo não doloroso" e esta será ajustada segundo a tolerância do mesmo, preocupando-se com a acomodação individual. Havendo a acomodação, a intensidade deverá ser aumentada quantas vezes forem necessárias. É necessário que o paciente sinta sensação de picadas que chegam ao limite do desagradável. Durante a sessão e preciso aumentar progressivamente a intensidade da corrente durante o processo de acomodação.

As sessões podem ser semanais, com um mínimo de 6, podendo alcançar até 10, devendo-se
levar em conta que os efeitos se prolongam durante umas semanas a mais, sendo que para julgar os resultados se espera até 45 dias após o fim do tratamento. É sugerido uma aplicação por semana, os resultados tornam-se mais significativos após a 3ª sessão.

Quando há o aparecimento de dor durante a introdução da agulha, significa que a mesma está
mal posicionada ao entrar em contato com as aponeuroses da pele, que são estruturas ricamente inervadas. As agulhas devem ser introduzidas sobre o tecido cutâneo, a nível do panículo adiposo. Não deve ocorrer nenhum sangramento e nenhuma dor deve ser manifestada. Esses fatos garantem a implantação correta da agulha no tecido adiposo.

Método sem agulhas: esta aplicação é feita por elétrodos de silicone condutivo, de baixíssima resistência intrínseca, obedecendo o mesmo distanciamento, ou seja, colocadas aos pares, com distanciamento de 5 a 6 cm.Deve se pôr um gel condutivo, sem princípios ativos, como cânfora e mentol, dispondo em regiões de acumulo de gordura, visando saturar pelo número de elétrodos,
2 a 3 vezes por semana, dependendo do estágio da paciente, variando o número de sessões de 20 a 30 sessões, sem também a necessidade de fazer com que a paciente tome 2 litros de líquidos.

Tanto para aplicação com agulhas quanto a sem agulhas, após a aplicação, deve ser recomendado a paciente a não exposição ao sol, devido a sensibilização causada pela aplicação. Também observamos que pode haver eritemas – vermelhidões – na pele, principalmente na aplicação com elétrodos epicutâneos – sem agulhas, fato este que pode se agravar se não for levado em consideração a tolerância ideal junto à paciente. Esse inconveniente, geralmente, ocorre por haver uma dose de ansiedade da paciente, o que faz com que a mesma refira uma intensidade tolerável, mesmo não sendo, o que levará a uma exposição da pele a uma carga elétrica superior a sua tolerância.

INDICAÇÕES:

A principal indicação da eletrolipólise está no tratamento da obesidade localizada, celulite e
lipodistrofia localizada. Há também indicação pós lipoaspiração, como complemento da cirurgia.


Podemos utilizar a eletrolipoforese para diminuição do perímetro em abdome, coxa e quadril.

Há também, discreta, porém não espetacular, perda de peso, melhora circulatória local e melhora da troficidade da pele da área tratada. Pode ser indicada também o uso da eletrolipoforese na lipodistrofias localizadas, nas complicações de "placas onduladas" após a lipoaspiração e a ptose abdominal e das nádegas.

CONTRA-INDICAÇÕES:

Não existe nenhuma região do corpo onde o método está contra- indicado, sempre e quando a indicação seja correta. Algumas contra-indicações da eletrolipoforese:

• Transtornos cardíacos (alteração do rítmo e da condução; insuficiência cardíaca) e portadores de marca-passo e cardiopatias congestivas;

• Pinos ou placas no corpo, em áreas onde a corrente elétrica será aplicada;

• Gravidez em qualquer idade gestacional;

• Paciente renais crônicos (insuficiência renal)

• Trombose venosa profunda ou estado venoso catastrófico.

• Patologias ginecológicas, tipo fibroma uterino;

• Utilização de medicamentos, como corticosteróides, e anticoagulantes ;

• Progesterona;

• Neoplasias;

• Alterações dermatológicas na área a tratar (Dermatites, dermatoses, feridas, inflamações,
eczemas, etc.)

• Epilepsia

Possíveis complicações e efeitos secundários podem ocorrer quando a eletrolipoforese trabalha com a implantação de agulhas no panículo adiposo, sem normas de assepsia adequada. Pode aparecer hematoma nessa área, o que não trará complicações. No método de aplicação de agulhas superficiais, poderá ocorrer uma pequena auréola de eritema pela passagem de corrente na pele que desaparecerá por si só e sem tratamento em poucas horas. Há também a descrição do aparecimento de pequenos pontos necróticos superficiais no local de introdução da agulha. As causas que podem determinar a aparição deste incidente não estão claras, entretanto, caso apareçam estes processos, sua cura ocorrerá sem maiores complicações.

A técnica realizada de forma inadequada pode levar a ocorrência de alguns incidentes:

- O paciente sente dor no momento exato da implantação da agulha.

- Surgem equimoses após a sessão, devido a pequenas veias superficiais que são picadas
desastrosamente ou, então, por um erro na manipulação de implantação atingindo tecido muscular.

- No final da sessão, a retirada da agulha causa sangramento.

- Durante a sessão, o paciente queixa-se de leves contrações musculares, é preciso verificar
se as agulhas não atingiram o plano muscular.

A Eletrolipólise é um método eficaz, que tem sua efetividade ampliada quando temos ele conjugado com outros métodos, tais como Ultrassom e a Ionização, formando esses três equipamentos uma rotina que dará, certamente, uma resolução a vários aspectos no tratamento da celulite e gordura localizada.

Assistam uma pequena demonstração da eletrolipólise subcutânea:




Marcelle Matoso.