terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Entidades alertam sobre medicina estética

Entidades alertam sobre medicina estética Sociedade de Cirurgia Plástica afirma que médicos que se dizem especialistas em estética colocam os pacientes em risco .

Em nota, Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e MEC afirmam que não existe a especialidade em estética.

Três entidades enviaram um comunicado aos médicos do país para alertar que a medicina estética não existe como especialidade médica. O documento assinado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pela AMB (Associação Médica Brasileira) -as mais altas entidades médicas do Brasil- e pelo Ministério da Educação -que fiscaliza os cursos de medicina- informa ainda que o médico que põe no consultório a placa "especialista em medicina estética" comete uma infração ética grave.Os cirurgiões plásticos apoiaram o manifesto e fizeram um alerta ainda mais grave. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Tariki, os pacientes que se submetem a operações com médicos que se apresentam como especialistas em estética podem correr risco de vida.Essa mobilização é uma resposta à fundação de entidades de medicina estética e à criação de pós-graduações lato sensu (especialização) na área.A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia Plástica Estética criou um curso no Rio, dentro da Universidade Veiga de Almeida. A Sociedade Brasileira de Medicina Estética oferece pós em seis capitais, pela faculdade Souza Marques."Isso é uma invenção. São pessoas que se reuniram e criaram sociedades ou cursos com esses nomes. Elas não podem conferir título de especialista", diz José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB.Para ter diploma médico, os alunos ficam seis anos na universidade. Para se especializar, passam pela residência médica. Os cirurgiões plásticos, por exemplo, cumprem cinco anos de residência. Depois, para ter o título de especialista, ainda precisam ser aprovados numa prova oficial -aplicada pela associação da especialidade.As pós-graduações em medicina estética, por outro lado, duram apenas dois anos e se concentram em procedimentos específicos, como aplicação de toxina botulínica, lipoaspiração, implante de mama, plástica de nariz e peeling cirúrgico."O especialista de verdade ganhou uma formação completa na residência, passou por UTI, viu doenças de todo tipo. Sabe ver se o paciente que vai fazer lipoaspiração tem uma hérnia que precisa ser corrigida. Toma cuidado para não perfurar o intestino. O médico que cursa essas pós-graduações tem formação segmentada. Depois de operar três pacientes ele está apto? Eu acho que não", diz Tariki, da Cirurgia Plástica.No final de 2005, uma advogada de 37 anos morreu em São Paulo depois de submeter-se a uma lipoaspiração com um médico que se dizia especialista em medicina estética. Ele não tinha formação em cirurgia. O médico foi condenado pelo Conselho Regional de Medicina e apelou ao CFM. O julgamento ainda não terminou.De acordo com Tariki, a medicina estética não pode existir porque os procedimentos que ela oferece já são feitos pela cirurgia plástica e pela dermatologia, especialidades médicas reconhecidas. "Pegam o filé do filé das duas áreas. Por que não atendem queimados em hospitais públicos? Porque, nessa área que eles querem, o mercado é grande e o dinheiro é fácil."Antonio Gonçalves Pinheiro, um dos diretores do CFM, diz que o recém-formado deve resistir à tentação do "dinheiro fácil". "O risco é grande. Ele pode deixar o paciente morrer por não saber o que fazer diante de uma complicação."O Brasil é o segundo país que mais faz plásticas no mundo. Só perde para os Estados Unidos. Entre 2004 e 2006, o número de brasileiros que se submeteram a cirurgias plásticas saltou de 616 mil para 700 mil. A mais popular é a lipoaspiração."Não há nada de errado com cirurgias estéticas", diz Ivo Pitanguy, 82, referência mundial em plástica. "O errado é você se dizer especialista em estética."As entidades de medicina estética atribuem o alerta a uma disputa por mercado.

Fonte:
http://www.cirurgiaplastica.org.br/publico/midia.cfm

4 comentários:

july disse...

Fico indignada com coisas assim,sou Fisioterapeuta e sinceramente a classe medica me choca com todas essas guerras que sempre giram no mesmo sentido,o dinheiro que com a criação de novas profissões diminue para eles. O ato medico é uma prova indiscutivel de tal desespero,so que isso ja chegou as raias da loucura ,pois agora eles brigam entre eles mesmos. Um medico é um medico ,estudou para ser medico,sabe anatomia ,fiosologia,patologia,etc... tem total condições de saber o que é bom ou ruim para seu paciente. Acho que uma nova especialização so faz enriquecer essa classe. O problema é que os cirurgiões,dermatologistas e etc estão perdendo seus pacientes,dinheiiiiiiiiiiiiiiiiiro e é esse o problema!!! o que ha com esses medicos?
o que ha com essa classe que devia servir aos seus pacientes por vocação,por amor ao proximo? hj so o fator financeiro é o que conta.isso me causa repulsa,repulsa por esses "medicos" esse "conselho" que defende tais interesses abominaveis. Espero que os poucos medicos de verdade que existem façam algo.assumam o poder e defendam seus colegas que estudaram como eles ,que deram horas de plantão,que viram tudo de ruim que ha em um hospital e que merecem respeito

claudia disse...

Acho que meus colegas médicos estão na verdade preocupados em perder seus pacientes e consequentemente perder sim Dinheiro !! Porque é feio que os Médicos que fazem Medicina Estética pensem em ganhar dinheiro com o que aprendem e para os Dermatologistas e Cirugiões Plásticos (que também fazem preenchimentos, Botox, Carboxi e Peelings)não é. Por acaso aqueles colegas também não são médicos? e também não pagam CRM ? Essa briga é ridícula !!! É a mesma coisa eu dizer que um cirugião não pode fazer Endoscopia e Colonoscopia como eu que sou formada pra isso !! e fazem muito !!! Há lugar pra todos no mercado é só fazer um bom trabalho e conquistar seus pacientes !!!! Cláudia Gama - Endoscopista RJ

Anônimo disse...

Ai meu Deus .... As duas que postaram isso estão viajando na maionese... Por acaso vcs já viram um cirurgia plástica feita por um não cirurgião plástico???
Queridas vcs fariam uma lipoaspiração ou uma abdominoplastia com um cirurgião que aprendeu isso em um curso de final de semana...
Se quer fazer cirurgia plástica tem que estudar cirurgia plástica ...

Thiago disse...

Sou estudante de medicina da quarta melhor universidade federal pelo MEC no ano de 2011 - foi a segunda em 2009 - e posso garantir pra voces que durante a faculdade não recebemos formação suficiente para realizarmos cirurgias plásticas ou qualquer procedimento invasivo dessa magnitude. Isso é ambito da pós graduação, mais especificamente a residencia médica (2 anos de cirurgia geral + 3 anos de cirurgia plástica, por exemplo). Voces não podem dizer que todos os médicos são iguais, "que sabem o que é bom ou ruim pro seu paciente", que não deveria haver briga dentro da classe e conselhos para regulamentar as praticas... Desculpa, mas se não fosse isso teria UM MONTE DE TECNICO DE ENFERMAGEM fazendo procedimento MÉDICO e MATANDO pacientes por ai, como a gente sabe que existe em rincões do brasil afora. Regulamentação de especialidade médica é COISA SÉRIA E NECESSÁRIA e serve pra coibir justamente o que voces tao falando de $ (vide acunputuristas, massoterapeutas e o escabal).